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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Simplesmente ir

Ninguém deve entender porque é que choro, por que ando tão triste se possuo quase tudo.

O que as pessoas também não devem entender é como é enlouquecedor não fazer nada o dia inteiro, quase todos os dias a dois ano.

Como é viver sem usar a vida, acordar e dormir e não fazer nada pra mudar, nada pra que o mundo mude. Todo dia é tudo igual, todo dia nada de novo, até as lágrimas parecem as mesmas.

Amigos?Sei não mas são poucos bem poucos os que são de verdade, ninguém sequer me liga. Parece que morri e aos poucos eles foram se acostumando com a minha ausência. Agora não passo de uma mera lembrança.

Que sufoco!
Que solidão!

Parece tudo tão escuro, tão monótono aqui dentro.
Saudades...

Uma saudade nostalgica de quando estava viva, de quando eu podia comer sem vomitar, sair de casa sem carregar uma pilha de remédios.
Saudades do meu cabelo arapucado dando muito trabalho pra fazer chapinha.

Ninguém, além de quem passa por isso tudo, consegue imaginar como é triste e masculino ficar sem os cabelos, o quanto é difícil se achar bonita, quando se esta neste estado.
Até o cheiro muda. Não que eu esteja fedida, mas não exalo mais aquele aroma doce, tenho cheiro de remédios.

O que me mantém viva?
É a vontade que isso tudo passe logo, a esperança de ser normal de novo!De ir e vir sem ter que pensar se é conveniente.Apenas ir, simplesmente ir.

Minha máscara de mulher forte já esta roída nas bordas, já não consegue mais encaixar tão perfeitamente, a verdade é que já estou farta!

Peço apenas a Deus que me ajude a ser forte!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Solidão

Essa é uma das piores partes do transplante.

A parte em que você pode, mas não pode. Posso estar em casa, mas nada de muitas visitas. Posso sair na rua, de mascara, guarda-sol, protetor solar, um esquema todo armado.
E as pessoas tem suas vidas não é mesmo, elas correm, trabalham, estudam, vivem,assim como eu, antes, também o fazia.

E eu fico com a cabeça vazia, oca, pensando em tudo e me sentindo um nada. Pertubo o coitado do Robson o tempo todo, quando ele chega em casa, eu já grudo nele e nem deixo o coitado respirar, sei que isso é ruim, mas sinto falta de falar sobre o meu dia, meus pensamentos, desejos...

Minha mãe já me aguenta o dia todo sem parar, é mãe pra lá, é mãe pra cá, é mãe que não chega mais.

Queria aproveitar pra agradecer a visita da Flávia, Pelé e esposa, Daniel e Bia, Juliana Paes, Daniela Sarayba(Vocês fizeram minha estadia no hospital um pouco mais feliz).
E agradecer também ao Douglas, D.Marluce, Fabiana, Ana Clara, Junior, Lu, Julia, Jucélia, Bia e Leandro, pelo carinho e atenção, pelas visitas animadas e chaias de carinho.

Agradecer também aos amigos que mesmo de longe não deixaram de rezar por mim, que me telefonaram, ou apenas deixaram recadinhos carinhosos...

Muito obrigada a todos que me tiraram deste momento de solidão...